Há dias as netas perguntaram-me se eu, quando era pequena, fazia maldades. Enterneceu-me a preocupação que estava implícita na pergunta e respondi que maldades, não, porque as maldades implicam uma intenção, um conhecimento de que a nossa acção vai prejudicar outros. O que eu fazia eram disparates, asneiras. Por leviandade, por má avaliação da situação, por preguiça ou por egoísmo, todas as pessoas fazem de vez em quando, “asneiras”. O importante é perceber que se errou, pedir desculpa se com a asneira alguém se magoou e, sobretudo, não repetir o erro.
Isto foi o que lhes disse na altura.
Agora acrescento que não foi só em criança que fiz asneiras. Posso gabar-me de ser especialista na arte do disparate e do sentimento de culpa que se segue. Mas maldades, não, não faço!
Por exemplo: Em 2005 votei em Sócrates. Foi uma asneira.
Se a 5 de Junho de 2011 voltasse a votar nele era uma maldade, e como já disse, maldades eu não faço.